domingo, 23 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
“A vida acontece nas janelas”...
A rua “Bartolomeu da Costa”... mais especificamente a minha quadra, possui 118 janelas e 11 portas numa distancia de aproximadamente 50 metros lineares, quatro metros e meio de largura e apenas 1 metro de passeio em ambos os lados.
Todo dia quando abro a minha janela expondo meu micro-mundo, dou de cara com uma “Tia” que está a observar as outras 59 janelas a sua frente. Transformo-me em uma janela incomodada, mas assumo que estes últimos dias comecei a experimentar esse olhar de janela. Junto comigo vejo dois gatos condenados que também ficam a olhar (talvez por falta de opção e de rua em suas vidas)... um dos gatos esta situado a três janelas de distancia da tiazinha observadora, no primeiro andar, o outro está a umas seis janelas a direita, no segundo andar. Do mesmo lado que eu, tem uma outra senhora que faz mais, fica com meio corpo pra fora e olha além da nossa quadra, “fita” a rua de baixo e a rua dos Barbudinhos (acima) passa um grande período ali, só a observar o movimento todo, como a esperar por alguém que saltasse do autocarro ou que encarasse a subida da rua na caminhada. Todo dia de manhã ficamos nós cinco (eu as duas Tias e os dois gatos) cada um com a sua janela a observar um ao outro e a esperar esse alguém que uma hora virá trazendo um norte sentido para essas janelas voltadas para o sul .
A rua “Bartolomeu da Costa”... mais especificamente a minha quadra, possui 118 janelas e 11 portas numa distancia de aproximadamente 50 metros lineares, quatro metros e meio de largura e apenas 1 metro de passeio em ambos os lados.
Todo dia quando abro a minha janela expondo meu micro-mundo, dou de cara com uma “Tia” que está a observar as outras 59 janelas a sua frente. Transformo-me em uma janela incomodada, mas assumo que estes últimos dias comecei a experimentar esse olhar de janela. Junto comigo vejo dois gatos condenados que também ficam a olhar (talvez por falta de opção e de rua em suas vidas)... um dos gatos esta situado a três janelas de distancia da tiazinha observadora, no primeiro andar, o outro está a umas seis janelas a direita, no segundo andar. Do mesmo lado que eu, tem uma outra senhora que faz mais, fica com meio corpo pra fora e olha além da nossa quadra, “fita” a rua de baixo e a rua dos Barbudinhos (acima) passa um grande período ali, só a observar o movimento todo, como a esperar por alguém que saltasse do autocarro ou que encarasse a subida da rua na caminhada. Todo dia de manhã ficamos nós cinco (eu as duas Tias e os dois gatos) cada um com a sua janela a observar um ao outro e a esperar esse alguém que uma hora virá trazendo um norte sentido para essas janelas voltadas para o sul .
domingo, 9 de novembro de 2008
Faz um mês que estamos cá em Lisboa, terra das janelas, travessas e um tempo que passa devagar. Cheiro de casa de vó, com suas roupas e ceroulas no varal, doces a base de açúcar e ovos, cheiro de café, brinco de pérola, caminhadas devagar, plantas não ornamentais em pequenos jardins. As moradias debruçam-se nas ruas e as pessoas nas janelas. O senhor de bengala passa. Pequenos mercados e frutarias, pastelarias com bolachinhas de todo tipo. um a um, nada aos montes.
E os nomes das ruas : Rua do Chão da Feira. Rua do Recolhimento. Rua dos Sapadores.
E os nomes das ruas : Rua do Chão da Feira. Rua do Recolhimento. Rua dos Sapadores.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
3 Luas ! ! !
Ando com esse tema na cabeça, começou com um sonho e passou a ser uma reflexão.
Sonhei que estava na casa da Catarina e estava saindo para algum compromisso. Já meio apressado e despedindo de todos, fui em sua direção, beijei-a na face e falei:
- Tchau, Mããã! desse jeito mesmo, natural. Sem pensar segui para o compromisso...
Acordei com o tal sonho na cabeça e com essa ultima frase martelando em meu coração.
Foi aí que virou reflexão... fui mesmo muito abençoado, ganhei três mães, cada uma com sua beleza e dilemas diante da vida. Minha primeira mãe já concluiu seu ciclo nesta terra, deixando muitas questões e saudades que me rodeiam até hoje, principalmente aqui em Portugal (país de sua descendência) que sinto ressoando forte a sua presença em mim.
Tive também uma Tia tão mãe, que me fez confundir várias vezes as bolas, devido a sua presença marcante e seu poder quase sobrenatural para perceber, não sei como, o que se passava comigo e principalmente com o Leco (meu irmão das duas mães). Sempre que penso nela as coisas ruins se ajeitam, é impressionante. Esta mãe também já concluiu seu ciclo, deixando um buraco irreparável numa família, que a tinha como força, sabedoria, bondade e verdade; como pivô para quase tudo.
E nesses últimos anos, a vida me colocou da forma mais natural possível como uma fase da lua (a Crescente, eu acho) essa terceira mãe, que não é minha, mas que me trouxe de novo o sentimento de filho. Quando achava que já tinha sido demasiado abençoado por duas, essa terceira figura iluminada de uma bondade tão plena e simples cruzou a minha estória, ou eu a dela, (o que é mais provável) de uma forma tão forte que se estabeleceu assim. E só pensando neste sonho e com essa reflexão, e também depois de passar pelos meus próprios ciclos, consegui enxergar que a maioria das minhas referências são femininas. Se assim sou, é porque toda noite havia uma Lua, cada qual de um jeito e com seu brilho a iluminar a minha morada, situada na rua da Graça 19-78. Bernardo Fernandes.
Sonhei que estava na casa da Catarina e estava saindo para algum compromisso. Já meio apressado e despedindo de todos, fui em sua direção, beijei-a na face e falei:
- Tchau, Mããã! desse jeito mesmo, natural. Sem pensar segui para o compromisso...
Acordei com o tal sonho na cabeça e com essa ultima frase martelando em meu coração.
Foi aí que virou reflexão... fui mesmo muito abençoado, ganhei três mães, cada uma com sua beleza e dilemas diante da vida. Minha primeira mãe já concluiu seu ciclo nesta terra, deixando muitas questões e saudades que me rodeiam até hoje, principalmente aqui em Portugal (país de sua descendência) que sinto ressoando forte a sua presença em mim.
Tive também uma Tia tão mãe, que me fez confundir várias vezes as bolas, devido a sua presença marcante e seu poder quase sobrenatural para perceber, não sei como, o que se passava comigo e principalmente com o Leco (meu irmão das duas mães). Sempre que penso nela as coisas ruins se ajeitam, é impressionante. Esta mãe também já concluiu seu ciclo, deixando um buraco irreparável numa família, que a tinha como força, sabedoria, bondade e verdade; como pivô para quase tudo.
E nesses últimos anos, a vida me colocou da forma mais natural possível como uma fase da lua (a Crescente, eu acho) essa terceira mãe, que não é minha, mas que me trouxe de novo o sentimento de filho. Quando achava que já tinha sido demasiado abençoado por duas, essa terceira figura iluminada de uma bondade tão plena e simples cruzou a minha estória, ou eu a dela, (o que é mais provável) de uma forma tão forte que se estabeleceu assim. E só pensando neste sonho e com essa reflexão, e também depois de passar pelos meus próprios ciclos, consegui enxergar que a maioria das minhas referências são femininas. Se assim sou, é porque toda noite havia uma Lua, cada qual de um jeito e com seu brilho a iluminar a minha morada, situada na rua da Graça 19-78. Bernardo Fernandes.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
(18E) PrAça do ComÉRCio/ Baixo Chiado ( HaXichiaDO)
Sinto falta das árvores nas praças e nas ruas, a ação antrópica aqui se mostrou mais forte. Por aqui tudo é arquitetura, quase sempre de outra época e a natureza só aparece marcante com o brilho azul-prateado do Tejo, que não se explica; nem com foto é possível repetir sua beleza.( É o rio mais mar que já vi).
As praças e as ruas da “Baixa” são limpas, exceto pelas pessoas que se arrastam entre outras com caras de indianos, ou egípcios (não sei distinguir) carregando de forma discreta e falando baixinho: _ Haxixe? E desaparecem da mesma forma em que aparece outra figura como a anterior repetindo a mesma pergunta.
Continuo andando em direção a Praça do Comércio para pegar um bonde (daqueles antigos mesmo) onde o motorista num certo momento abre a porta e desce com uma enorme barra de ferro e vai em direção ao trilho, enfia num buraco na intersecção para mudar a direção do seu percurso; feito isso volta para sua posição inicial e segue sua vida profissional com a simplicidade que para nós brasileiros já está quase toda perdida pelo corre do dia-a-dia. Entro no bonde, uso meu passe magnético e procuro uma janela para sentir a brisa e ouvir a rua da nostalgia, até meu próximo destino.
Linha - 18 E, Bairro d’Ajuda.
(Berba)
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